melhorar a educação de infância na república da guiné-bissau

Melhorar a Educação de Infância na República da Guiné-Bissau (MEI-GB) um trabalho de parceria entre a UA e a FED

De entre os objectivos da Fundação para a Educação e Desenvolvimento da Guiné-Bissau (FED) destacam-se a melhoria da qualidade da educação de crianças e a formação de recursos humanos para a educação. Nesse sentido, o protocolo estabelecido com a Universidade de Aveiro (Fevereiro de 2003), no que respeita às acções a desenvolver no domínio da Educação de Infância, consubstanciou-se num Projecto de Investigação, Formação e Intervenção.

Depois de uma missão de contactos iniciais com a realidade guineense, realizada por duas professoras do Departamento de Ciências da Educação, da Universidade de Aveiro, em Abril de 2003, que incluiu visita a contextos educativos, estabelecimento de relações com educadores/professores do terreno, consciencialização in loco das principais questões e dificuldades bem como dos recursos existentes, procedeu-se ao delineamento do projecto “Melhorar a Educação de Infância na Guiné-Bissau” que assumiu compromissos relativos a:

  • apoio à concepção de orientações curriculares para a educação pré-escolar na Guiné-Bissau, tendo em consideração a realidade sócio-cultural guineense
  • dinamização de um projecto de intervenção pedagógica em contextos de infância que pressupõe a formação de técnicos/educadores
  • constituição de uma equipa de supervisores que no terreno acompanham e apoiam a implementação do projecto
  • e a avaliação do seu impacte

Este projecto enquadra-se no Departamento de Ciências da Educação (DCE) e Unidade de Investigação “Construção do Conhecimento Pedagógico nos Sistemas de Formação” (UI CCPSF) - Linha de investigação “Educação de Infância” e decorreu entre os anos de 2003 e 2007, sob a responsabilidade de Gabriela Portugal.

Acções desenvolvidas

Formação


O desenvolvimento deste projecto pressupôs a realização de uma formação base ou inicial (realizada em Janeiro de 2004), dirigida a um grupo de 35 formandos/educadores, relativa à concepção de orientações curriculares e a uma abordagem experiencial da educação de infância (focalizada no enriquecimento do meio, na comunicação empática e na livre iniciativa da criança).
O projecto incluiu ainda formação local em supervisão através de apoio técnico-científico à implementação da acção dos supervisores, em espaços de reflexão, programação e avaliação da acção por eles desenvolvida, por parte de formadores/supervisores/investigadores ligados à UA.
Assegurou-se ainda formação complementar, ao longo do desenvolvimento do projecto, em resposta a necessidades e interesses identificados localmente. Assim, realizaram-se formações complementares sobre “Trabalho com famílias e comunidades”; “Trabalho em equipa”; “Orientações Curriculares - Uma Abordagem Experiencial na Observação, Planeamento e Desenvolvimento de Práticas em Jardim-de-Infância”; “Leitura e Escrita no Jardim-de-Infância”; “O Brincar e o desenvolvimento do currículo”.

Intervenção e supervisão


Foi programada e criada uma estrutura de supervisão local de acompanhamento e apoio à intervenção directa realizada pelos educadores e responsáveis de sala/grupo de crianças envolvidos no projecto, visando a melhoria da oferta educativa. Pretende-se que a equipa de supervisores assegure o desenvolvimento contínuo de um processo de reflexão e avaliação sobre o impacto e significado da intervenção, quer para os educadores, quer para as crianças, quer para os próprios supervisores.
Foi delineado um esquema de funcionamento que passa pela programação e avaliação do trabalho específico a desenvolver pela equipa (efectuado em reuniões mensais dos supervisores), por reuniões quinzenais de cada uma das equipas de profissionais de Educação, sob a orientação do respectivo supervisor e por acompanhamento directo nos respectivos jardins-de-infância (efectuado através de visitas dos respectivos supervisores) a todos os profissionais de Educação envolvidos no projecto.

Estudo e análise do impacto do projecto


A avaliação global do projecto fundamenta-se na análise de produtos escritos elaborados pelos intervenientes. Para tal, são considerados para avaliação do impacto da intervenção, os registos efectuados pelos formandos em contexto de formação, bem como os instrumentos que individualmente e em equipa de supervisão são preenchidos pelos profissionais envolvidos. Para além destes, são ainda apreciados os registos de programação e avaliação, elaborados pelos supervisores.
Como elementos de análise, e para além de dados de opinião emitidos pelos profissionais envolvidos no projecto, são ainda considerados dados de observação efectuada nos espaços de formação e nas visitas realizadas a todos os jardins-de-infância integrados no projecto e que se concretiza regularmente, em todos os momentos de estadia no terreno, por parte dos investigadores ligados à Universidade de Aveiro.

Resultados

No âmbito do trabalho de equipa e supervisivo, foram identificados e concretizados pelos supervisores e restantes membros das equipas alguns pontos de acção para melhoria das práticas. Na generalidade, podemos sumariar as iniciativas realizadas no terreno, do seguinte modo:
  • re-organisação do espaço com vista a deixar mais espaço para diferentes actividades em oferta em simultâneo (isto significou retirar mesas e cadeiras e criar espaços livres, por exemplo);
  • concepção, construção e introdução de materiais diversificados e potencialmente mais interessantes nas salas de actividades (considerando as dificuldades económicas, pobreza, isto significa mais criatividade e abertura ao espaço exterior, famílias e comunidade com vista a identificar o seu potencial educacional e colaborativo, e beneficiar dele);
  • aumento da livre iniciativa e exploração livre da criança dos materiais (organizando espaços e aumentando os momentos em que as crianças brincam e utilizam o seu ímpeto exploratório natural de acordo com o seu ritmo e interesses);
  • atenção a crianças que suscitam preocupação especial, em particular as crianças que não atingem níveis satisfatórios de bem-estar e implicação ou crianças com necessidades especiais de desenvolvimento (nalguns casos isto significa o desenvolvimento de uma atitude de apoio, dando atenção positiva e considerando modos alternativos de estimular e de trabalhar com aquelas crianças).
  • Consideração da implicação e o bem-estar (olhar segundo a perspectiva da criança) como uma forma de avaliar a qualidade do contexto educativo.


Apesar das dificuldades e meios financeiros muito limitados, os educadores mantêm as suas reuniões, discutindo e tomando decisões relativamente a medidas para melhoria da qualidade. Subsequentemente, nas práticas diárias de sala, os educadores passaram a adoptar mais facilmente uma organização mais aberta, uma atitude mais respeitadora perante o ímpeto exploratório natural da criança. Mas, naturalmente, o domínio de competências e atitudes experienciais ainda não estão verdadeiramente atingidos.
A definição de objectivos e iniciativas para todo o grupo de crianças ou para algumas crianças em particular parece ser uma tarefa difícil. Contudo, o alargamento da livre iniciativa, o aumento da oferta de materiais e a diversificação de actividades tornou-se um permanente ponto de atenção dos educadores.
O efeito mais importante deste projecto é o de os educadores sentirem que eles próprios são capazes de melhorar coisas nos seus contextos. Trata-se de um efeito valioso, dado que o comum era os educadores trabalharem com o sentimento de que não eram capazes de alterar a situação estando muito dependentes de ajudas exteriores. Os educadores sentem-se mais capazes, expressam os seus sentimentos de orgulho e entusiasmo quando falam dos ganhos evidentes relativos aos níveis de implicação e de bem-estar das crianças, tudo isto devido aos seus esforços de melhoria das práticas.
Assumimos que é a dinâmica de supervisão e mobilização conjunta de todos os intervenientes no projecto que lhe garante força e continuidade na busca de mais qualidade na acção educativa.

No âmbito do desenvolvimento do Projecto Melhorar a Educação de Infância na Guiné-Bissau (MEI-GB), organizou-se na UA:

  • Exposição “Guiné-Bissau: Imagens e Vozes”, pertencente à Fundação Evangelização e Culturas (FEC) e Exposição de Fotografia “Guiné-Bissau: Imagens e Vozes da Infância” (Maio 2006);
  • Sessões de divulgação do projecto MEI-GB e sensibilização para a realidade educativa africana junto de populações estudantis e infantis (através, por exemplo, das oficinas de “Brincar na Guiné-Bissau” dinamizadas junto de grupos de crianças no espaço da Exposição, por alunas da Licenciatura em Educação de Infância) (Maio 2006).;
  • Campanha de recolha de materiais lúdicos e didácticos (livros, brinquedos, jogos e materiais didácticos…) para apetrechamento de um centro de recursos educativos sediado na Fundação Educação e Desenvolvimento (FED), em Bissau. A campanha decorreu ao longo dos meses de Março, Abril e Maio de 2006, a respectiva organização e embalagem dos materiais decorreu em Junho e o envio em contentor dos materiais recolhidos (Outubro 2006) teve o apoio financeiro da Embaixada de Portugal/IPAD em Bissau. No dia 30 de Novembro de 2006 decorreu a inauguração do Centro de Recursos Educativos da FED, em Bissau ;
  • Apresentação de proposta de formação inicial em Educação de Infância (Licenciatura de 3 anos antecedida de um ano preparatório), em resposta a um pedido de Sua Excelência o Bispo de Bissau, D. José Camnaté e Doutor Alexandre Furtado, Presidente da Fundação Educação e Desenvolvimento (Abril 2006);
  • Acolhimento na UA, ao longo de 3 semanas (de 11 a 30 de Novembro de 2007), de três educadoras/supervisoras guineenses para contacto com experiências educativas em jardins-de-infância/escolas portugueses abrangidos por protocolos de colaboração com a Universidade de Aveiro e para participação em reuniões de supervisão em educação de infância.
última atualização a 06-06-2014
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