O que é o empreendedorismo social?

TERÇA-FElRA, 17 de Abril de 2007
DA Economia

EMPREENDER – DA TEORIA À PRÁTICA

O que é o Empreendedorismo Social ?

 

Nos últimos anos a palavra empreendedorismo tem-se tornado quase um chavão. Nos diversos artigos publicados nesta pagina, várias têm sido as abordagens e sentidos dados ao “empreendedorismo”.

Desta vez aborda-se o empreendedorismo numa outra vertente – a de criação de entidades com um cariz social e não somente lucrativo, bem como a possibilidade das empresas privadas associarem à sua actividade também um objectivo social.

Tais organizações prosseguem a melhoria e transformação do contexto comunitário em que se inserem tendo como modelo de gestão o da auto-sustentabilidade da sua acção e actividade. Na raíz do seu funcionamento encontra-se um modelo voluntário de participação e co-responsabilização dos empreendedores sociais, que não são motivados apenas por intenções de lucro mas essencialmente pela prestação de serviços que podem propiciar bem, como pelo ganho social que trazem à comunidade. São essas organizações da sociedade civil que levam a cabo a promoção e criação de emprego e a melhoria das condições de vida, de empregabilidade, de acesso aos bens e à cultura sem que possuam uma finalidade lucrativa, mas visando a auto-sustentabilidade da sua gestão. Como impulsionadores destas organizações estão os empreendedores sociais que regem a sua actuação nas instituições da sociedade civil (associações, IPSS´s, organizações não governamentais, associações mutualistas, incubadoras de empresas, etc.) de acordo com motivações de transformação social, de compromisso e de engajamento social e não somente por uma pura intenção de obter lucro distribuível pelos investidores.

Os empreendedores sociais partilham com os empreendedores empresariais a mesma intenção de incremento de valor (para uns económico-financeiro, para outros social), as mesmas dificuldades e limitações de meios e recursos e a mesma atitude arrojada, criativa e inovadora de desafio às limitações impostas pela escassez de meios.

Tal como refere o Prof. José Paulo Esperança, docente do ISCTE, apesar de neste “tipo de iniciativa empresarial em que as preocupações de apoio social, mesmo não directamente lucrativas, estão presentes (…) Um dos grandes objectivos do empreendedorismo social é o envolvimento das comunidades locais num conjunto de actividades que melhorem o seu bem-estar e reduzam o risco de comportamentos lesivos, particularmente quando os níveis de desemprego e privação são elevados”.

Apesar do conceito de “empreendedorismo social” parecer estranho afigura-se fundamental que exista pois talvez seja realmente o ponto-chave para uma sociedade mais equilibrada e mais justa. Fazer aparecer mais empresas que conjuguem, de igual modo, o sentido empresarial e social implica uma atitude de compromisso social que preconiza quer a criação de valor privado, quer a transformação social. Ora esta postura implica por natureza que o empreendedor social, à semelhança do empreendedor empresarial seja atento, criativo e inovador. Quem possui escassos meios direccionados à realização de objectivos e simultaneamente possui muita vontade de os prosseguir tem necessariamente de ser um “caçador” de oportunidades, de ideias e de acasos e simultaneamente um defensor da aprendizagem e da inovação contínuas.

É precisamente esta atitude de compromisso dos diversos tipos de empreendedores, seja qual for o tipo de mercado em que actuam, que os faz indivíduos apaixonados por projectos, ideias e ideais, actuando com espírito de missão, respeitando importantes valores éticos e visando acima de tudo a transparência e a lealdade nas relações que estabelecem com os seus colaboradores, parceiros de negócio, clientes e fornecedores.

 

A nota mais característica do empreendedorismo social passa essencialmente pela capacidade de transformar para ganhar mais, sem que a medida do ganho seja somente o lucro mas também a criação de valor social para a comunidade, promovendo o emprego, minorando a exclusão social e a conflitualidade e aumentando as valências de apoio e os benefícios da comunidade.

Lembra-se a propósito a criação da empresa Flor da Quinta pela Associação Portuguesa dos Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) a qual é vocacionada para a construção e manutenção de espaços verdes e que promove a empregabilidade de utentes da associação.

Segundo informações constantes do site http://www.appacdm-lisboa.org/index_emprego.htm“esta empresa foi criada no âmbito do Mercado Social de Emprego e visa a criação de oportunidades de emprego para pessoas em situação de desfavorecimento, entre as quais pessoas com deficiência. O seu quadro é constituído por 5 trabalhadores em regime de inserção, dois dos quais com deficiência e uma encarregada com formação superior em técnicas agrícolas e jardinagem”.


Para Saber Mais

http://www.ashoka.org.br/

http://www.sebrae.com.br/br/home/index.asp

www.dianova.pt/

http://www.dnacascais.pt/Default.aspx?tabid=74

http://www.cm-coimbra.pt/650.htm


O empreendedorismo social no ensino superior  

Universidade de Évora

http://www.ensino.uevora.pt/pgei/m8.htm

Escola Superior de Educação da Guarda

http://www.ipg.pt/ese/posgrad.asp?curso=19

Universidade da Beira Interior

http://www.ubi.pt/cursos/mestrado.php?curso=empreendedorismoservicosocial

Universidade do Porto

http://newsletter.up.pt/pt/actualidade/106/?page=2

Universidade Nova de Lisboa

http://www.aefeunl.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=118&Itemid=46


O que está a acontecer?

A universidade europeia INSEAD vai promover, nos dias 25 e 26 de Maio, no Centro Cultural de Cascais, o I Congresso sobre Empreendedorismo Social – Rumo à Sustentabilidade, Inovação e Mudança.

 

Página da lncubadora de Empresas da Universidade de Aveiro
Fernando Santos
Sandra Oliveira
Ana Daniel
Email: ie@grupunave.pt

Notícia formato original (extraído do jornal) >>

 

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