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Ser estudante é reabilitar a esperança

Como sabemos, não há fórmulas para viver, nem nada de exterior poderá condicionar o sentido da vida e a esperança para se lutar cada dia. Não é o TER que determina a capacidade de se reinventar mas o SER. Por isso ter coisas não é sinónimo de felicidade, assim como tendo-se porventura menos bens ou por vezes passando-se por algumas dificuldades, mesmo assim é possível ser feliz sabendo recomeçar cada dia a arte de viver. 

Mas não é fácil falar e viver (d)a esperança quando a conjuntura se tornou desesperante para tanta gente, e o ideário esperançoso referido não quer significar qualquer resignação, passividade, indiferença. Para uma boa parte da sociedade a noção de esperança poder-se-á ter afastado das vivências e convivências em face do realismo diário das privações, incertezas, expetativas.

Também o mundo estudantil não está imune da realidade social envolvente e sente os mesmos receios e ansiedades. Tornar-se-á decisivo, aliada a toda a rede de cooperação solidária felizmente existente, a reabilitação da esperança como valor e virtude existencial-e-social onde apesar de todas as circunstâncias condicionantes o recomeçar em cada momento permite acreditar e construir-se num virar de páginas rumo ao melhor futuro. 

Não virá do exterior de si mesmo esse passo decisivo em ordem à superação otimizada de todas as possibilidades, sendo necessário cultivar em si próprio o tempo e espaço de filosofia pessoal de vida, de “alimento pessoalíssimo”, onde também neste campo o momento atual será para muitos de oportunidade de pensar e repensar a vida e as suas opções, o ter e o ser. 

Neste contexto poder-se-á dizer que nas últimas décadas na Europa fomos aderindo de tal modo seduzidos às tecnologias que fomos desprestigiando, pelo menos em parte, as sabedorias com os seus inerentes valores, virtudes, conteúdos e mesmo responsabilidades éticas. Outras sociedades conseguiram melhor compatibilizar um e outro avanço necessário, para que o ser humano não se torne um “fazedor” mas preserve a “alma”, o ser. 

Decorre a reflexão anterior como síntese e consequência do que alguns estudiosos consideram que a Europa está a viver, mais que outra qualquer crise, uma “crise de sentido”. Diagnosticada a situação importará investir na resolução, sendo todavia esta um processo de acrescida complexidade por todas as razões. Dentre todas as opções possíveis, a opção de “não falar da crise”, dando um passo adiante e porventura desenraizado da realidade poderá, em parte, ser um caminho que não dê espaço para criar raízes… 

A esperança como virtude refletida desde a antiguidade, em que se torna mais necessário o seu aprofundamento de raiz em circunstâncias como as atuais, não é nunca uma esperança fácil, simplista, otimista feita de “castelos no ar”. A esperança que importa reabilitar como valor pessoal e social generalizado – mesmo contra todas as marés e contra as quais há que remar – será a que brota da consciência humana na capacidade de agir vendo sempre “o copo meio cheio”, alimentar e cultivar a ágil criação do novo, gerar a dinâmica do aprender e inventar sendo ator, não ficando à espera do que vier ou parar diante de... 

Quanto mais se der tempo e espaço no “disco mental” a este aprofundar natalício mais e melhor assertividade e resiliência teremos para enfrentar os desafios que 2013 trará consigo.
última atualização a 04-01-2013
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