40 anos da UA
 

ser estudante é saber persistir

O tempo da formação académica será momento privilegiado de conhecer-se a si mesmo em ordem ao desenvolvimento de valores e virtudes, as quais – aliadas aos novos meios técnicos de que as gerações de hoje dispõem – poderão gerar maior alcance ao desejado progresso de todos. Entre tantos valores e virtudes dignas de registo, destaquemos neste tempo a persistência.

 

Desistir às primeiras dificuldades, sejam de estudo, humanas ou relacionais, é ainda não ter atingido a plena visão da vida capaz de ser-se construtor do próprio futuro, vencendo resistências e superando barreiras. Talvez nesta componente psico-social tenha, porventura, muitas vezes havido um erro de fundo em que se foram enchendo mais as mãos das crianças de brinquedos e coisas já feitas do que propriamente a promoção do despertar as atitudes geradoras de capacidades de persistência e invenção…

 

A este propósito de – com as dificuldades inerentes à vida – ser-se criador e não meramente repetidor, quem não se lembra da simbólica grande aula do génio da Aplle, Steve Jobs (1955-2011), e da sua lição de vida no discurso emblemático do doutoramento honoris causa, proferido a 12 de junho de 2005 na Universidade de Stanford (EUA). Testemunho inspirador e fortíssima mensagem vista (e interiorizada?) por milhões de pessoas nas últimas semanas, retrato de quem soube aliar a simplicidade à sobriedade exigente, a resistência persistente à visão empreendedora de futuro. O segredo de sua vida, como da generalidade dos líderes, esteve não em ficar a olhar para traz e parar diante das dificuldades, mas integrá-las como fazendo parte do processo de crescimento, lendo e vivendo a crise como oportunidade e desafio à invenção.

 

O tempo social atual desafia grandemente à persistência, em cada um e em todos. Persistir na qualidade inovadorapara não se deixar afogar na quantidade fotocopiada do repetitivo, na ética do estudo para manter a integridade do pensar por cabeça própria, na participação cultural e cívica para que a sociedade não seja anémica logo a partir dos que estão em fase de formação científica e cultural.

 

As dificuldades pertencem à vida, o mundo de facilidades é só tática publicitária e a persistência é amiga da inovação. Esta (cons)ciência capacitará todos e cada um para uma cooperação de liderança dos processos em curso, evitando que a multidão vá ao arrastamento das modas e tendências simplesmente “por ir”.  Desenvolver aciência da persistência, como afinal fazem os cientistas que só à milésima experiência é que conseguem a descoberta, é algo de cada vez mais relevante para as novas gerações estudantis. No mundo que publicita a facilidade e o prático, urge preparar para as dificuldades naturais que pertencem à vida, integrando-as e aprendendo das grandes lições de vida. Poderá ser caso para dizer, filosofia da persistência precisa-se!

última atualização a 17-09-2013
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