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ser estudante é ser pontual

É sempre delicada esta abordagem, mas ela está presente quando em alguma ação o atraso é desmedido e arrasta consigo um efeito dominó incontrolável. Quando vamos para uma viagem e temos de apanhar o avião ou o comboio o assunto do ser-se pontual não está presente – porque tal não se verifica/justifica –, mas revela-se no dia a dia das coisas mais simples como algo de efetivamente muito importante sendo reflexo do nível de presença cívica que queremos ou não queremos para a vida social.

 

Já todos nos atrasámos um dia, numa situação excecional em que um imprevisto atrapalhou a saída, a viagem e o chegar atempado. Não é, evidentemente, deste atraso de exceção de que falamos. Mas já todos, porventura, estivemos em determinada circunstância de iniciativa em que o ponto de encontro acordado não é minimamente observado, e em que se multiplica a espera e o resultado será chegar atrasado à atividade seguinte… a gestão responsável de stress aumenta e a presença já quase é ausência para não chegar mais atrasado ao momento seguinte com o incómodo que a situação gera.

 

No mundo académico, terá havido um dia há muito tempo em determinada situação em que, como absoluta exceção, houve um atraso de “15 minutos” de estudante e o mesmo foi compreendido. Da exceção desses 15 minutos, passou-se ao tradicional “quarto de hora académico” que cresceu ao estatuto de “regra” informal, trazendo consigo, porventura, ainda mais alguns minutos colados… É a esta necessária pontualidade que nos queremos explicitamente referir. Se formos somar e multiplicar os minutos, as horas e os dias dos atrasos ficaríamos surpreendidos. E se tomarmos consciência de que o tempo de vida académica é o período de formação próxima para a entrada na vida laboral onde pontualidade é responsabilidade, então apercebemo-nos da contra-corrente do “atraso académico”.

 

Com maturidade cívica, pontualidade não pode significar obsessão de andar a correr ou sempre a olhar para o relógio em punho. Pontualidade será vivência de tal modo assumida que passa a ser natural, pois o tempo nunca se recupera e o “fazer esperar” nunca é bom princípio…

 

Neste contexto, vale a pena recordar as palavras do irreverente e inspirado António Vieira (1608-1697) sobre a pontualidade, proferidas em Lisboa já em 1650: «Uma das cousas de que se devem acusar e fazer grande escrúpulo os ministros, é dos pecados do tempo. Porque fizeram no mês que vem o que se havia de fazer no passado; porque fizeram amanhã o que se havia de fazer hoje; porque fizeram depois, o que se havia de fazer agora; porque fizeram logo, o que se havia de fazer já. Tão delicadas como isto hão de ser as consciências dos que governam, em matérias de momento. O ministro que não faz grande escrúpulo de momentos não anda em bom estado: a fazenda pode-se restituir; a fama, ainda que mal, também se restitui, o tempo não tem restituição alguma». Em cidadania todos somos ministros!

última atualização a 17-09-2013
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