40 anos da UA
 

ser estudante é desassossegar-se

O ser humano, quando em consciência eticamente formada – apesar da condição de se ser-humano representativa sempre da limitação histórica – contém em si a busca da perfeição, o desejo de progresso, a procura do ilimitado, a criação da última invenção, a inovação da última fórmula, a transformação e o desenvolvimento humano e social que a todos melhor sirva. 

Em contraposição, poder-se-á dizer que o estar sempre na mesma, a passividade, a indiferença, a ignorância, a inércia, a monotonia, o repetitivo, o viver dias clonados uns atrás dos outros ou o repetir os mesmos gestos como se fosse uma máquina (cf. filme Tempos Modernos, Charlie Chaplin, 1936), a permanência no mesmo tempo e espaço, não é modo de ser e estar que atraia e realize o ser humano, o cidadão, o estudante. 

Se formos percorrer a viagem dos últimos séculos, particularmente do século XX em que a juventude emergiu como período etário, observamos que a juventude foi motor de profundas transformações e progressos de que todos somos agora beneficiários. Um desassossego e o desejo de renovação surpreendentes percorrem, geração após geração, o ser pessoal de todos e das novas gerações em particular, sendo desse modo habilmente antecipadores do futuro. 

Em tempos atuais que revelam instrumentos de comunicação globais ao segundo é ainda maior esse poderio de motivação transformadora – e por isso mais responsável –, de que grandes e significativos momentos históricos convocados pelas redes sociais jovens são reflexo, do oriente ao ocidente, bem lá longe e aqui tão perto esse poder se tem manifestado. 

Sempre foi importante como o é hoje, a existência situada de um desassossego irreverente, recheado de liberdade responsável de quem pensa por cabeça própria, sente e reflete que o mundo, as sociedades, as opções, os critérios, as razões, os resultados, os caminhos, a realidade humana… em tudo podem ser melhores. 

Às novas gerações, particularmente aos que – compreendendo a formação como o melhor caminho para o melhor futuro – não desistem e têm oportunidade de estudar, e destes os que se encontram em percursos da educação superior, será sempre bem-vindo o desassossegar contínuo relativamente a si próprio na procura do melhor conhecimento e respeitante à sociedade/mundo onde o desafio à participação construtiva é constante. 

É um convite à abertura integrada de perspetiva, transportando o desassossego para a praça individual e comum, do dia e da noite, onde claramente o mundo-a-haver precisa hoje das boas ideias e ações, comunicadas e silenciosas, ousadas e continuadoras, questionadoras e convergentes no ideário do melhor dignificar na qualidade o bem pessoal e comunitário. 

É neste contexto pertinente recordar o 5.º considerando da Declaração Mundial sobre a Educação Superior no Século XXI: Visão e Ação (Paris, 9 de Outubro 1998): «Considerando que a solução dos problemas que surgem no limiar do século XXI será determinada por uma amplitude de perspetivas na visão da sociedade do futuro e pela função que se determine à educação em geral e à educação superior em particular;». 

Não existindo fórmulas fáceis, mas, serena e desassossegadamente, a educação não poderá ficar ladeada para a periferia, terá de ser soberanamente o centro da «solução dos problemas».

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