40 anos da UA
 

(pro)mover a cultura


Nos percursos de vida, importa perguntarmo-nos sobre o que fica em nós depois de… O que fica depois de um exame académico? Depois de um curso completo, seja do primeiro, segundo ou terceiro ciclo académico? Depois de determinada missão, prestação, projeto, desempenho? A resposta a estas perguntas evidencia os resultados finais, isto é: o que fica como experiência pessoal que se traduz em cultura.

Numa breve viagem que seja ao dicionário sobre “cultura”, claramente se destaca a profundidade, subjetividade e complexidade do que estamos a falar. No dizer de Edward Tylor (1832-1917), cultura é “todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. Sendo, pois, de impossível definição de modo único – daí a sua riqueza que nos obriga a “cultivar” –, da Roma antiga vem do sentido etimológico de “agricultura”, quando a semente é lançada à terra e depois, lentamente, vai germinando para dar fruto. Lição: temos de semear para ter expetativas em colher!

Todos sabemos que os tempos atuais não são lentos. A aceleração do tempo (on-line) da história até tem proclamado o fim das utopias (O Fim da Utopia, Jacoby Russel): bem ou mal, depende. É um facto que o tempo de outrora tinha “mais tempo” para a cultura sedimentar (qual pastor que cuidava do seu rebanho com todo o tempo do mundo!), que a expansão – em globalização – da consciência desafia à reinterpretação de paradigmas socioculturais, que a “mudança” é a regra, mas que – e fundamentalmente – será cada vez mais decisiva a capacidade cultural de espírito crítico, de saber pensar.

Quando mais a tecnologia do “fazer” e “utilizar” cresce na sedução da multidão das novas gerações que nela já nasceram mergulhadas (é um facto e a tecnologia é um bem potencial admirável!), tanto mais importa enaltecermos a distância crítica relativa e propormos os exemplos daquelas personalidades históricas da renascença que de Tomás Moro a Leonardo de Vinci, Erasmo de Roterdão, René Descartes, compatibilizavam a procura do Homem Universal: não só a experiência científica ou o “teclar”, como também a base e a retaguarda de tudo: o tempo para a cultura humanística que contribui decisivamente para o “pensar as coisas”, para não nos deixarmos “coisificar”.

Torna-se um imperativo, nas comunidades intelectuais, enaltecermos que cada ser humano deve pensar por cabeça própria, sem que isso comprometa os valores comunitários; que há direitos mas também “deveres para com a comunidade” (art.º 29.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos); que ninguém deve plagiar vida ou pensamento de terceiros, sob pena de menoridade intelectual; que (enquanto a inteligência artificial não for um facto!) as tecnologias não têm culpa de possível falta de ética de redes sociais ou outros, mas que a “mão” do utilizador é que precisa do aperfeiçoamento na ordem do SER e da RELAÇÃO.

Estará nos dedos das novas gerações abrandar e saber “criticar” a sedução tecnológica, repensar o presente e (pro)mover a cultura que também representa no dicionário, como fruto: desenvolvimento, educação, valores, bom-senso.


última atualização a 02-12-2015
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