45 anos da UA
 

coleção josé duarte

uma coleção

comecei a colecionar bonecos da bola
depois fui crescendo e colecionando várias coisas & loisas
cheguei ao jazz em 58 e desde então passei a trocar trabalhos favores por música
música gravada escrita estampada
vivia vivíamos antes do 25 e assim nada havia no meu país
estrangeiro via tap foi a opção que tomei e gostei
fome não vontade de comer ou apetite em troca de lps livros concertos convivências com jazzmen
foi durante anos minha vida

duas décadas depois já pai de dois músicos duas elas hoje jovens resolvi utilizar minha coleção em direção ao bem comum
o cultural pois liberdade já tinha sido conquistada

‘centro de estudos de jazz’ (cej) da universidade de aveiro (ua) nasce assim em 2002
cej é o depósito de meu acervo desde então atualizado

tive um corredor com oito metros duas respetivas paredes com prateleiras
várias outras prateleiras noutra divisão com:
lps
cds
dvds
livros
revistas
cartazes
é assim minha ex-coleção agora residente em aveiro
quantidades?
suficientes para jazzeficar quem for preciso
hoje e amanhã

comecei esta minha ex-coleção tinha 20 de cronológica
em lisboa outra de novo formo

jazz arte com os dias contados
como todos
como tudo
jazz repete-se e desenvolve-se lentamente
quando se aquece água cedo ou tarde surge vapor de água
quando se mistura vinho com água o vinha acabará
de água pé passará a água
jazz tem vindo a perder suas caraterísticas com que se apresentou enquanto cresceu
jazz não resistirá a (con)fusões ganhará outras caraterísticas
passará a música diferente

o cej da ua será o museu permanente da história do que foi o jazz e de suas transformações sucessivas permanentes

Não sei o que estou a fazer mas faço. Ainda faço. Tipo 'Burkina Faso'.
Entre a disciplina e a graça gratuita das palavras, faço

Maria Velho da Costa


josé duarte
março 2009


[link para a coleção: sinbad]
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A coleção Jose Duarte é, para todos os efeitos, uma coleção biográfica. É composta por um vasto conjunto de espécies documentais associadas ao jazz, entre as quais se inclui, para além de inúmeros manuscritos, material fonográfico (em suporte CD, LP e cassete), videográfico (concertos de jazz), filmográfico (filmes que incluem jazz), fotográfico (fotos originais e cópias, de músicos ou de José Duarte com músicos, algumas das quais autografadas), bibliográfico (monografias e publicações periódicas desde os anos 50 e de proveniências diversas), e ainda um conjunto disperso de documentos tais como manuscritos de programas de rádio, imprensa e televisão, autógrafos de importantes figuras do jazz, recortes de jornais e revistas, posters e cartazes desde o primeiro festival de jazz de Cascais (1971), e objetos associados a eventos importantes, como por exemplo aparelhos de rádio.
Este espólio, construído ao longo de cinquenta anos, tem a particularidade de ser, ainda neste momento, um espólio em construção, um espólio inacabado, aspeto que, de acordo com a vontade do seu autor, deve ser prioritário em qualquer projeto de salvaguarda e manutenção. Ou seja, a manutenção da coleção na UA passa pela preservação dos seus diferentes documentos, mas também pela garantia de uma permanente atualização através da aquisição de livros e discos e da assinatura de revistas da especialidade.
A configuração da coleção, assim como os pressupostos que garantem a sua manutenção, confundem-se de algum modo com o seu coletor. Correspondem às suas escolhas e adoções, contam a história do seu percurso pessoal e profissional, da sua aproximação ao jazz, das suas empatias e antipatias, das suas amizades, do seu entendimento sobre o próprio conceito de música, de jazz e de coleção, a qual é, ela própria, um conjunto performativo permanentemente inacabado. É, de resto, em tudo semelhante ao próprio objeto sobre o qual incide: um todo aberto, no qual a diversidade é, mais do que a homogeneidade, a força motriz, materializando um conjunto de documentação multimédia cujo conceito se vai definindo à medida que os próprios objetos se vão reunindo. É justamente neste ponto que a Coleção José Duarte adquire um valor singular porque reproduz, pela sua conceção, provavelmente circunstancial, os princípios que norteiam a conceção jazzística da música. Mas é essa circunstancialidade que denuncia o aspeto mais apelativo e mais inspirador deste acervo: o momento em que a coleção, o colecionador e o próprio jazz se confundem pela intimidade com que se abraçam e se misturam.


Susana Sardo

[link para a colecção: sinbad]
última atualização a 09-04-2014
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